Foi bom ter ligado. Ter ouvido a sua voz. Sua doce voz de sotaque pernambucano. Voz inconfundível. Voz que quando ouço chego a me arrepiar dos pés a cabeça. Bom saber de você. Alivio maior em saber que não está namorando. Eu sei, eu sei. É que o egoísmo em querer só pra si quem se ama, fala mais alto dentro de mim. Grita, eu quero dizer. Ainda bem que você não desligou quando soube que era eu. Morreria de vergonha caso você fizesse esse despropósito comigo. Mas, você foi tão gentil. Que eu me abri toda em sorrisos e declarações apaixonadas. Sim! Eu te amo. Estou te amando agora de um jeito bobo. Bobamente apaixonado. Na verdade eu nunca deixei de te amar. Acho apenas que meu amor por você evoluiu. Aquele sábado em que nos falamos foi mágico. Um separador de águas. Amadurecemos – eu só um pouquinho, claro – sentimos o tempo, vivemos cada uma a sua dor e a superamos conforme nossa capacidade de compreender o mundo e aceitar tais desafios. Falamos bobagens, de coisas triviais e outras relevantes. Mas o que de fato foi importante é saber que o que sinto ainda é correspondido com ardor e intensidade. Sinto saudades. Imensas. Estarei aqui. Te querendo. Te esperando. Te amando. Venha logo.
texto de J. Rebouças
